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CIRURGIA DE CATARATA E USO DE LENTES SUPLEMENTARES

A cirurgia de catarata, que antes se restringia a devolver a 'visão possível' ao paciente, evoluiu ao ponto de tentar libertá-lo também do uso de óculos, após a cirurgia. A cirurgia de catarata bem indicada e bem feita busca restaurar a visão com o implante das mais diversas lentes intra-oculares, sem a necessidade de correção ótica com óculos, após a cirurgia.

No entanto, surpresas refrativas ou situações inesperadas podem acontecer. Existem pacientes que, por razões diversas, mesmo após serem submetidos à moderna cirurgia de catarata ainda precisam usar óculos, tanto para corrigir vícios de refração – miopia, hipermetropia, astigmatismo, presbiopia – que já estavam presentes antes do procedimento, como para corrigir novos problemas visuais, que surgiram após a cirurgia de catarata.

Diante de uma surpresa refrativa, e levando em consideração fatores como: grau residual, tipo de vício de refração, tempo decorrido da cirurgia de catarata, condições anatômicas e funcionais dos olhos e o desejo do paciente de melhorar a sua qualidade de vida, o oftalmologista pode decidir qual a melhor opção terapêutica para este paciente, se o tratamento clínico – uso de novos óculos ou lentes de contato – ou uma nova intervenção cirúrgica.

No campo cirúrgico, abrem-se três possibilidades ao paciente, que devem ser analisadas criteriosamente pelo oftalmologista que o assiste:

Cirurgia extra-ocular – mais conhecida como lasik, realizadas com laser ou eximer laser. Pacientes com mais de 60 anos podem apresentar problemas de lubrificação ocular. A cirurgia não corrige todos os vícios de refração;

Cirurgia intra-ocular – onde o oftalmologista poderá optar por realizar o explante da lente colocada na primeira cirurgia de catarata e faz um novo implante;

Implante de lentes suplementares - os contínuos avanços na cirurgia de catarata buscam devolver a um órgão tão delicado a sua plena capacidade de ver em todas as distâncias. Com a tecnologia a favor, podemos optar por fazer o implante de uma segunda lente – especialmente projetada para estas situações – visando corrigir a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo e a presbiopia.

Como é feito o segundo implante?

Após uma acurada análise de cada caso, se a decisão do oftalmologista for a de fazer um novo implante com lentes suplementares, é necessário que o paciente faça, além dos exames oftalmológicos completos, exames complementares, como: ceratoscopia, microscopia especular, paquimetria, análise computadorizada do segmento anterior, mapeamento da retina, PAM e OCT.

Como se trata basicamente de uma reoperação da catarata, é preciso preparar bem este paciente para que não haja insatisfação com o resultado da cirurgia devido a expectativas irreais. É preciso alertar este paciente sobre possíveis efeitos colaterais. Esta cirurgia deve ser realizada sempre em um centro cirúrgico, com anestesia e sedação, em sistema de internação de curta duração.

O novo implante é realizado por meio de incisão corneana. O oftalmologista acomoda a nova prótese ocular na câmara posterior do olho, na frente do implante primário.O pós-operatório, definido de acordo com os critérios do cirurgião, compreende o uso de tampão ocular por 12-24 horas e o uso de colírios antibióticos, antiinflamatórios e lubrificantes por aproximadamente duas semanas.

A recuperação da visão é gradativa, num período compreendido entre 24-48 horas. O objetivo primordial do emprego das novas lentes suplementares é eliminar ou diminuir ao máximo a dependência do uso dos óculos pelos pacientes mais idosos.

Envelhecer com autonomia requer uma boa visão e uma boa audição. Problemas oftalmológicos estão associados a altas taxas de depressão e a dificuldades para a realização das atividades diárias. Com o aumento da população idosa, um dos grandes desafios brasileiros será o de oferecer um atendimento médico adequado para este segmento da população, que requer cuidados especiais. A falta de informação e de acesso aos novos tratamentos é o principal desafio a ser enfrentado no combate à perda de visão decorrente da catarata.

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