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Lusco-fusco: atenção especial ao volante

Atenção, motoristas: segundo estatísticas da Polícia Rodoviária Federal, quase 30% dos acidentes nas estradas ocorrem entre 17h e 20h. E não é porque todos estão com pressa de chegar em casa antes de escurecer, antes da novela ou do jogo de futebol na TV. Ou porque os carros subitamente passem a ter problemas neste horário específico.

É uma questão debrilho. Sim, expliquemos. Segundo os oftalmologistas, é justamente nesse período de tempo que o mecanismo da visão passa por uma mudança que torna o olho humano muito mais sensível à luz. "Dentre as razões para a concentração de acidentes neste período, estão a dificuldade natural do ser humano para enxergar em situações de pouca luz, iluminação pública deficiente e o desrespeito às leis de trânsito”, diz o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares (www.imo.com.br – tel.: 5573-6424).

Privilegiados com dias longos, os brasileiros não têm como prioridade cuidar da visibilidade noturna. Em países do hemisfério norte, onde em tempos de neve a escuridão prevalece na maior parte do dia, conseguir enxergar à noite na rua é uma questão crucial. Por isso, usam-se materiais que refletem a luz e acerta-se a parte elétrica do carro. No Brasil, não são raras as notícias de motoristas que não se preocupam nem em regular os faróis, um cuidado simples que pode reduzir o risco de acidentes.

À noite, a visão pode nos pregar peças, principalmente para quem já tem algum problema de visão. “Em condições de pouca luminosidade, a capacidade de enxergar é reduzida em até 30%. A hora do lusco-fusco - transição entre dia e noite - é crítica para o condutor de veículos. A perda de noção de distância e profundidade estão entre os riscos para os condutores de veículos. Com a percepção afetada, os reflexos ficam mais lentos”, explica Centurion.

O médico explica que mesmo uma pequena deficiência visual pode atrapalhar o motorista na hora de dirigir à noite. "Mesmo que a pessoa não sinta falta de óculos durante o dia, a deficiência à noite é bastante agravada", alerta o diretor do IMO.

Medidas de segurança

Para o oftalmologista Eduardo de Lucca, que também integra o corpo clínico do IMO, a receita para uma direção tranqüila à noite abrange óculos e lentes adequados; estradas bem pavimentadas e iluminadas; faróis regulados e a posição correta do motorista no assento em relação ao painel e retrovisores. “Enxergar à noite já é um exercício para quem tem a visão normal. Fica mais difícil para quem possui alguma deficiência visual ou quem está com idade avançada”, diz o oftalmologista.

Segundo o médico durante a noite, a visão de quem tem “miopia, astigmatismo, glaucoma e catarata piora devido à falta de iluminação suficiente e os faróis ofuscam a visão fazendo com que se perca a noção de profundidade”, diz. Nestas condições, os reflexos do motorista ficam mais lentos “porque entre míopes e astigmáticos a noção de distância em relação aos outros veículos é maior do que a real”, explica.

Para enxergar melhor à noite, Eduardo de Lucca sugere o uso de filtros para óculos, com lentes amarelas. O motivo é que quem possui alguma deficiência visual pode perder de 10% a 25% da visão à noite. “Este percentual varia de acordo com o vício de refração de cada motorista. Por exemplo, os míopes, na hora do lusco-fusco, chegam a diminuir até duas linhas, que são as medidas de acuidade visual da Carta de Snellen, a escala optométrica utilizada por oftalmologistas para medir a capacidade de visão dos pacientes”, diz o oftalmologista.

Os motoristas que se submeteram à cirurgia de catarata, com lentes intra-oculares implantadas, podem apresentar alterações no ofuscamento. “A redução da visão à noite depende da visão de contraste. Geralmente, quem tem a visão de contraste diminuída possui olhos operados de cirurgia refrativa ou são portadores de opacidades, como a catarata”, diz o oftalmologista Virgilio Centurion, que também é membro da ALACCSA, Associação Latino-Americana de Cirurgiões de Córnea, Catarata e Cirurgias Refrativas.

Como a catarata é prevalente na população idosa, os condutores da terceira idade devem estar sempre com o exame oftalmológico em dia. Um relatório do ICO - Conselho Internacional de Oftalmologia -, de 2004, mostrou que, nos Estados Unidos, a principal causa de morte por ferimentos entre pessoas de 65 a 75 anos é o acidente automobilístico. Nessa categoria, 95% das lesões são relacionadas a problemas de visão.

No Brasil, para obter a Carteira de Habilitação, é preciso fazer uma bateria de exames, entre eles a avaliação oftalmológica, que inclui o teste de visão noturna e de ofuscamento. O Contran – Conselho Nacional de Trânsito - determina que motoristas de até 65 anos devem renovar seu exame a cada cinco anos. Após essa idade, o intervalo passa a ser de três anos, período que pode ser reduzido, se o médico perito constatar algum problema no motorista. A avaliação oftalmológica feita no Brasil está em consonância com os parâmetros utilizados nos Estados Unidos e em países da Europa - embora alguns deles já tenham adotado restrições para impedir que motoristas com baixa visão noturna dirijam no período da noite.


FONTE: VITRINE OESTE

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