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A visão artificial e a cirurgia de catarata
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Em setembro de 2008, o mundo se surpreendeu ao ouvir as notícias sobre os avanços da visão artificial. Jornais, revistas e televisões de todo o mundo apresentaram a história fantástica de um paciente que, depois de meio século na escuridão, conseguiu enxergar vultos, após o implante de um olho biônico.
Estes foram os primeiros resultados revelados da pesquisa desenvolvida pelo médico americano Mark Humayw. O cientista iniciou os trabalhos neste campo em 2002. De lá pra cá, o olho biônico vem sendo aperfeiçoado. Neste ano, o especialista anunciou que fez 24 novos implantes e a capacidade de visão dos pacientes, nesta segunda etapa, cresceu em 50%.
O olho biônico funciona com uma microcâmera adaptada a um óculos, que capta as imagens e as transmite para um chip implantado dentro do olho do paciente. Este chip estimula a retina, que envia as informações captadas para o cérebro, que por sua vez, forma as imagens e faz com que o paciente consiga ver novamente. O chip em si não corrige qualquer tipo de cegueira, mas amplia a capacidade de percepção do olho, possibilitando que o paciente veja vultos, sombras. Por enquanto, apenas os pacientes que tiveram uma doença degenerativa da retina e que perderam a visão, já adultos, podem se beneficiar desta nova tecnologia.
Luta contra a cegueira
O combate à cegueira sempre foi um dos maiores desafios da Oftalmologia. Há séculos estamos acumulando conhecimento e informações neste sentido. Num país como o nosso, onde existem mais de 1 milhão de cegos e 4 milhões de deficientes visuais, toda nova informação científica é importante para combater a cegueira e seus terríveis efeitos sócio-econômicos. O que o olho biônico nos sinaliza, hoje, é que ainda podemos avançar muito nesta 'guerra'.
É importante destacar que a abordagem em relação à cegueira vem se modificando com o tempo. De fato natural relacionado à velhice, ela passou a ser inaceitável, quando é fruto de catarata, glaucoma, degeneração macular relacionada à idade e retinopatia diabética, por exemplo. Para ilustrar esta mudança de paradigma em relação à cegueira, podemos usar como exemplo a catarata. A evolução nas pesquisas e estudos sobre esta doença provocou uma mudança radical de postura da sociedade em relação ao envelhecimento e aos custos sociais da catarata.
Mudanças no tratamento da catarata
Até 25 anos atrás, a catarata era tida como algo inerente ao envelhecimento. Idosos teriam que conviver com a catarata de alguma maneira, bem ou mal... A facectomia intracapsular era a técnica cirúrgica mais empregada em todo o mundo para a remoção da catarata. A cirurgia exigia pelo menos sete dias de internação hospitalar. E a restauração visual se completava após um mês da cirurgia, com a prescrição de óculos especiais que provocavam a distorção das imagens e muito medo no paciente na hora de se locomover, pois não garantiam uma percepção real de tempo e espaço.
Para evitar os desagradáveis efeitos desta temida cirurgia, os oftalmologistas costumavam esperar a 'catarata amadurecer', a doença tinha que alcançar quase o mesmo grau de maturação em ambos os olhos, para que o médico os operasse com o menor intervalo possível. Se a catarata fosse unilateral, nem era operada devido ao pós-operatório conturbado.
Este cenário complicado e desesperançoso para os pacientes idosos que eram portadores de catarata começou a ser transformado com o surgimento da facoemulsificação, em 1967. Após um período de desconfiança, a comunidade oftalmológica começou a aceitar a nova tecnologia e seus conseqüentes benefícios para médicos e pacientes. E o ciclo de boas novas se completa a partir de 1977, com o advento das lentes de Shearing e Sinskey, com elas, o tratamento da catarata deu um salto qualitativo. A segurança dos 'então modernos implantes intra-oculares' propiciou que mais pacientes pudessem ser beneficiados com a cirurgia.
Como reflexo destes avanços, nos dias de hoje, tanto faz se a catarata afeta apenas um dos olhos ou ambos, se a doença está em diferentes estágios de maturação nos dois olhos, pois os implantes corrigem este problema. Hoje, para tratar a catarata, o oftalmologista precisa fazer um minucioso estudo sobre a vida do paciente, a terapêutica é completamente personalizada. É preciso planejar a cirurgia de catarata individualmente. A acuidade visual é devolvida ao paciente de acordo com o seu estilo de vida. Para um paciente portador de catarata que não desenvolve rotineiramente atividades de cunho intelectual, oferecemos uma solução, um tipo de implante ocular, após a remoção da catarata. Para outro que necessita dirigir à noite e ainda mantém um ritmo de trabalho intenso com uso do computador, pensamos em outro tipo de implante.
A cirurgia de catarata, que antes se restringia a devolver a 'visão possível' aos pacientes, hoje, evoluiu para se tornar um procedimento que tenta libertá-los também do uso de óculos após a cirurgia. Procuramos restaurar a visão, com o implante das mais diversas lentes intra-oculares, se possível de imediato, e sem necessidade de lentes oftálmicas após a cirurgia.
No fundo, o que buscamos com as pesquisas do olho biônico e com os contínuos avanços na cirurgia de catarata é devolver a um órgão tão delicado a sua plena capacidade de ver em todas as distâncias, sem a ajuda de nenhum outro elemento oftálmico externo. Estamos avançando e trabalhando para erradicar qualquer manifestação da cegueira no futuro. |
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| INFORME LEGAL |
As informações contidas em nossa homepage têm caráter informativo e educacional. O seu conteúdo jamais deverá ser utilizado para autodiagnóstico, autotratamento e automedicação. Em caso de dúvida, o profissional médico deverá ser consultado, pois, somente ele está habilitado para praticar o ato médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina.
Dr. Virgilio Centurion
Diretor Clínico
CRM-SP 13.454
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