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Estilo de vida afeta o prognóstico do glaucoma

Mudar o estilo de vida do paciente portador de uma doença crônica é um desafio para todos os profissionais de saúde. É muito difícil convencer o paciente que além da cirurgia, do medicamento, do acompanhamento médico regular, ele precisa mudar também posturas e comportamentos para manter a doença sob controle. “Este é o caso do glaucoma, onde algumas mudanças de hábitos são extremamente importantes para um melhor prognóstico da doença”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, direto do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

Mudanças necessárias no estilo de vida:

• Prática de exercícios

Estudos sugerem que pacientes com glaucoma de ângulo aberto que se exercitam regularmente - pelo menos 3 vezes por semana - podem ser capazes de reduzir sua pressão intraocular em até 20%. “Mas se estes pacientes deixam de se exercitar por mais de duas semanas, a pressão aumenta novamente”, afirma Roberta Velletri, oftalmologista que também integra o corpo clínico do IMO.

Quando o assunto é a prática de exercícios físicos, o paciente com glaucoma precisa saber que a ioga e outros exercícios que envolvem posições de cabeça para baixo podem ser prejudiciais para o prognóstico da doença. “É importante dizer também que os exercícios físicos não têm efeito algum sobre o glaucoma de ângulo fechado. E podem, de fato, aumentar a pressão ocular em pacientes com glaucoma pigmentar. Exercícios de alto impacto podem liberar mais pigmentação da íris destes pacientes. É fundamental que o paciente glaucomatoso converse com seu médico sobre o programa de exercícios mais adequados”, aconselha Roberta Velletri.

• O papel da dieta

1. Alimentos e suplementos ricos em antioxidantes: a dieta provavelmente desempenha um papel pouco relevante para o desenvolvimento do glaucoma. “Não há nenhuma prova definitiva para que relacione a ingestão de determinados nutrientes com uma maior proteção contra o glaucoma”, informa o oftalmologista Ricardo Giacometti Machado, que também integra o corpo clínico do IMO;

2. Cafeína: alguns estudos têm mostrado que uma grande quantidade de cafeína ingerida em um curto período de tempo pode elevar a pressão do olho por até 3 horas;

3. Ingestão de líquidos: a ingestão de grandes quantidades (um litro ou mais) de qualquer líquido dentro de um curto período de tempo, cerca de 30 minutos, parece aumentar a pressão intraocular. “Assim, pacientes com glaucoma não devem se abster da uma boa hidratação, mas devem fazer a ingestão de líquidos em pequenas quantidades, ao longo do dia”, recomenda Ricardo Machado.

• Uso dos óculos de sol

O glaucoma pode deixar os olhos de mais sensíveis à luz e ao brilho do sol. “Medicamentos para melhorar este sintoma podem agravar o problema. Os óculos de sol resolvem a questão e são importantes para a prevenção da catarata e de outras doenças da retina. É importante lembrar que os óculos escuros não precisam ser caros. O mais importante é escolher óculos que bloqueiem pelo menos 99% dos raios UVB e 95% dos raios UVA”, explica a oftalmologista Roberta Velletri.

• Remédios naturais e suplementos

Uma série de remédios naturais e ervas têm sido anunciados na Internet como “bons para o tratamento do glaucoma”. Não há evidências científicas de que o mirtilo - fitoterápico popular para distúrbios oculares - seja eficaz na prevenção ou no tratamento do glaucoma. 

Alguns estudos têm relatado que o ginkgo biloba pode ter propriedades que oferecem benefícios aos pacientes com glaucoma, tais como o aumento do fluxo de sangue no olho, sem alterar a pressão arterial, a freqüência cardíaca e a pressão intra-ocular. “No entanto, muitas pesquisas ainda precisam ser feitas para comprovar estes benefícios.Não há a menor evidência que esta substância possa ser usada com segurança no tratamento do glaucoma. É importante não interromper a medicação prescrita pelo oftalmologista, pois a segurança dos medicamentos para o tratamento desta moléstia já foi atestada”, destaca o oftalmologista Ricardo Machado.
INFORME LEGAL
As informações contidas em nossa homepage têm caráter informativo e educacional. O seu conteúdo jamais deverá ser utilizado para autodiagnóstico, autotratamento e automedicação. Em caso de dúvida, o profissional médico deverá ser consultado, pois, somente ele está habilitado para praticar o ato médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina.

Dr. Virgilio Centurion
Diretor Clínico
CRM-SP 13.454
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