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Diabates: complicações oftalmológicas


A importância do exame oftalmológico e a preocupação com a retinopatia diabética foi o tema escolhido neste ano pela Associação Americana de Diabetes (ADA) para marcar as comemorações do Dia de Alerta sobre Diabetes - Diabetes Alert Day. Segundo os centros americanos de controle e estudo do diabetes, a retinopatia diabética é a principal causa de cegueira entre adultos, o que resulta em cerca de 12 mil novos casos de perda de visão a cada ano. Para evitar o aparecimento da retinopatia diabética, três importantes cuidados devem ser observados, visando a preservação da visão:

1) Manter bons os níveis de A1C, ou seja, fazer o controle glicêmico;

2) Manter sob controle a pressão sangüínea;

3) Realizar o exame de visão anualmente.

A orientação da ADA é a de prevenir o aparecimento da retinopatia diabética, doença que constitui-se numa grande ameaça para a preservação da saúde do paciente com diabetes e um importante ônus social e econômico para o sistema de saúde.

Uma administração bem-sucedida do diabetes requer um esforço conjunto. Uma equipe multidisciplinar, formada por endocrinologista - especializado em diabetes - nutricionista, oftalmologista, podólogo e educador físico é de real importância no controle da doença. O grande desafio desta equipe é focado na obtenção do bom controle glicêmico e pressórico, que geralmente é obtido por uma avaliação clínica rigorosa e contínua e por uma ação terapêutica agressiva.

Como prevenir-se da retinopatia diabética?

A presença de áreas de espessamento da retina na região macular em pacientes portadores de diabetes é definida como maculopatia diabética. Algumas formas de maculopatia diabética estão associadas à perda de visão. O Early Treatment Diabetic Retinopathy Study (ETDRS), estudo clínico randomizado multicêntrico, as define como maculopatias diabéticas clinicamente significantes. Estas alterações estão presentes em 50% dos pacientes diabéticos que procuram o oftalmologista por diminuição da visão, podendo também ser o primeiro sintoma da retinopatia diabética.

O diabetes mal controlado facilita o surgimento da retinopatia, mas só o controle da glicemia não é suficiente para evitar seu aparecimento. Por isso, é importante consultar o oftalmologista uma ou duas vezes ao ano. Controlar a pressão arterial, manter a taxa de colesterol baixa e evitar o fumo são cuidados que diminuem as chances de problemas na visão.

A retinopatia é uma das complicações mais comuns e está presente tanto no diabetes tipo 1 quanto no tipo 2, especialmente em pacientes com longo tempo de doença e mau controle glicêmico. Quando culmina em perda visual constitui-se num fator importante de morbidade de elevado impacto econômico, uma vez que a retinopatia diabética é a causa mais freqüente de cegueira adquirida. A doença é a principal causa de cegueira em idade laborativa.

O impacto econômico e social causado pelo diabetes, que já é considerado problema de saúde pública, deve-se em maior parte a complicações, como a retinopatia diabética, que encurtam a vida produtiva dos indivíduos, piorando sua qualidade de vida e a de seus familiares.

A retinopatia diabética é caracterizada por alterações vasculares. São lesões que aparecem na retina, podendo causar pequenos sangramentos e, como conseqüência, a perda da acuidade visual. Hoje, a retinopatia é considerada uma das mais freqüentes complicações crônicas do diabetes junto com a catarata. As alterações microvasculares do tecido retiniano, principais sintomas da retinopatia estão relacionadas à hiperglicemia crônica, que leva à alterações circulatórias como a perda do tônus vascular, alteração do fluxo sangüíneo, aumento da permeabilidade vascular e conseqüentemente extravasamentos e edemas, culminando com a obstrução vascular que leva à neovascularização, com vasos frágeis que se rompem, causando hemorragias e descolamento da retina.

A catarata é também mais prevalente na população diabética devido ao sorbitol (poliálcool resultante do metabolismo do açúcar) que se acumula no cristalino. Em situações de hiperglicemia, o cristalino absorve água e tem seu segmento anterior ampliado, o que provoca miopia no paciente. À medida em que a taxa de açúcar no sangue retorna aos níveis normais, o cristalino se desidrata e volta ao tamanho original. A repetição dessa situação altera as fibras da estrutura do cristalino, provocando sua opacificação. Isso explica a maior predisposição dos diabéticos a sofrer de catarata mais cedo e com mais freqüência.

Importância do diagnóstico precoce

A Academia Americana de Oftalmologia preconiza que o exame oftalmológico deve ser realizado no momento do diagnóstico do diabetes, principalmente naqueles com diabetes do tipo 2, já que a prevalência de retinopatia é alta neste grupo de pacientes. Nos pacientes com diabetes tipo 1, a prevalência é bem menor nos primeiros 5 anos da doença (13%), aumentando muito após 10-15 anos (90%) (48-50). Se o diabetes for diagnosticado na gestação, o exame deve ser repetido trimestralmente mesmo que a visão corrigida seja perfeita (20/20) e o paciente ainda não apresente sintomas visuais (7,52).

A detecção precoce da retinopatia diabética é muito importante para a eficácia dos tratamentos. O exame oftalmológico completo, incluindo a oftalmoscopia (direta e indireta) e a biomicroscopia da retina sob midríase medicamentosa é fundamental para a detecção (86%) e estadiamento da retinopatia. A documentação fotográfica (retinografia) também é importante para a detecção, ou seja, a avaliação da progressão da doença e dos resultados do tratamento.

Hoje, contamos também com a tomografia de coerência óptica, o OCT, exame que é capaz de fornecer uma gama de informações sobre o edema macular, complementando a fundoscopia e a angiografia contrastada. A realização do OCT auxilia o diagnóstico e o tratamento das doenças maculares tais como, os edemas, a degeneração macular relacionada à idade, a retinopatia diabética e o glaucoma, dentre outras.
INFORME LEGAL
As informações contidas em nossa homepage têm caráter informativo e educacional. O seu conteúdo jamais deverá ser utilizado para autodiagnóstico, autotratamento e automedicação. Em caso de dúvida, o profissional médico deverá ser consultado, pois, somente ele está habilitado para praticar o ato médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina.

Dr. Virgilio Centurion
Diretor Clínico
CRM-SP 13.454
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