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Degeneração macular x herança genética

As pesquisas sobre a degeneração macular relacionada à idade, DMRI, realizadas nos últimos anos, indicam que a genética pode contribuir para o risco de desenvolvimento da doença, mas esta é uma situação complexa em que apenas algumas pessoas em situação de risco desenvolvem a doença. “Ou seja, nossas estimativas atuais são bastante imprecisas, a genética pode contribuir em torno de 40 a 70% para o risco de desenvolvimento de degeneração macular. No entanto, algumas pessoas nunca desenvolvem a doença, apesar de ambos os pais apresentarem o mal. Já outras desenvolvem a degeneração macular, embora nenhum dos pais tenha apresentado a moléstia”, informa o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

“A melhor maneira de determinar se você apresenta o risco de desenvolver uma perda de visão em função da degeneração macular é realizar uma avaliação da sua retina, visando determinar se existem sinais da fase inicial da doença, especificamente, grandes depósitos amarelos no centro da retina, chamados drusas”, afirma o oftalmologista Juan Carlos Caballero, que também integra o corpo clínico do IMO.

O que os oftalmologistas não sabem ainda, com certeza, é se existem certos fatores de risco modificáveis que podem reduzir as chances do desenvolvimento das drusas, por isto, o papel da genética como fator de risco, embora não modificável, é um tema constante de pesquisa.
Testes genéticos para identificar a possibilidade de desenvolver a degeneração macular relacionada à idade também são temas constantes de pesquisas. “Por enquanto, os especialistas concordam que apenas a informação em si, a partir de tais testes, não têm um papel relevante na gestão dos pacientes, porque os testes não determinam com precisão se uma pessoa vai desenvolver ou não a degeneração macular. Por enquanto, o exame da retina, visando identificar o aparecimento de drusas, é um preditor muito melhor da doença”, informa Juan Caballero.

Fatores de risco modificáveis

Enquanto as pesquisas para a compreensão da importância da genética no aparecimento da degeneração macular relacionada à idade caminham, os oftalmologistas insistem em alertar os pacientes sobre os fatores de risco modificáveis da doença. 

“O tabagismo, por exemplo, pode causar uma série de problemas de saúde, e um deles é um risco aparentemente aumentado de desenvolver perda de visão devido ao aparecimento da degeneração macular relacionada à idade. Só a ameaça de desenvolver a doença já é uma boa razão para parar de fumar hoje”, comenta Juan Caballero.

Ainda sobre fatores de risco modificáveis da doença, Juan Caballero diz que não há nenhuma evidência definitiva de que uma mudança na dieta possa reduzir o risco de desenvolver DMRI ou afetar a magnitude da sua progressão. E embora seja muito importante proteger os olhos da luz solar com óculos escuros que bloqueiam os raios UVA e UVB, também não há evidências definitivas de que tal comportamento vai aumentar ou diminuir o risco de desenvolver DMRI.

O The National Eye Institute at the National Institutes of Health realizou o Age-Related Eye Disease Study, conhecido como Areds, que buscava avaliar se uma formulação específica de suplementos vitamínicos pode retardar a progressão da degeneração macular relacionada à idade.
 
Segundo as achados dos pesquisadores, pessoas com DMRI que tomaram uma combinação de nutrientes - a fórmula incluía quantidades específicas de vitamina C, vitamina E, beta caroteno, zinco e cobre – se beneficiaram, embora a fórmula não tenha apresentado nenhum benefício aparente para as pessoas sem a doença ou com a doença em fase inicial ou final. Ou seja, “o coquetel de vitaminas” não reduziu o risco de desenvolver DMRI nos estágios iniciais ou finais da doença.

A fórmula Areds está agora disponível no balcão das farmácias e de outras lojas de varejo, nos Estados Unidos, mas nem assim, o americano pode tomá-la sem recomendação médica. Um segundo estudo Areds está em curso, buscando averiguar se os óleos de peixe e outros nutrientes são indicados e eficazes na redução do risco de progressão da DMRI em pessoas que já têm uma fase inicial da doença. 

Prevenção é palavra de ordem

“Enquanto os estudos sobre a relação da genética e a prevenção da degeneração macular avançam, a forma mais efetiva de prevenir a doença ainda é o exame oftalmológico de rotina, que deve ser feito anualmente. O oftalmologista pode solicitar exames complementares, como a angiofluoresceinografia e a tomografia de coerência óptica (OCT) para confirmação do diagnóstico”, alerta o oftalmologista Juan Caballero. 
INFORME LEGAL
As informações contidas em nossa homepage têm caráter informativo e educacional. O seu conteúdo jamais deverá ser utilizado para autodiagnóstico, autotratamento e automedicação. Em caso de dúvida, o profissional médico deverá ser consultado, pois, somente ele está habilitado para praticar o ato médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina.

Dr. Virgilio Centurion
Diretor Clínico
CRM-SP 13.454
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