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Dia 14 de Novembro : Dia Mundial do Diabetes

Como toda doença crônica, o diabetes, logo que é diagnosticado, traz uma idéia desoladora de uma doença incurável, debilitante e restritiva. É muito importante que medidas preventivas e educacionais em relação à doença sejam disseminadas, para que o diagnóstico precoce do diabetes possa ser feito. O Dia Mundial do Diabetes é uma ótima oportunidade para discutirmos com a sociedade a importância da educação em diabetes.

A educação no diabetes é justificada, pois a doença provoca uma série de condições no organismo e no aparelho visual que afetam diretamente a saúde ocular e predispõe o portador a complicações na córnea, à catarata e ao glaucoma. Além disso, provoca a retinopatia diabética, a maior causa de cegueira permanente em indivíduos economicamente ativos. É importante destacar que a perda visual provocada pelo diabetes freqüentemente é um sintoma tardio da doença. É importante que o paciente diabético saiba que, mesmo apresentando uma boa acuidade visual, ele necessita de acompanhamento e tratamento oftalmológicos.

O mais eficiente tratamento da retinopatia diabética e das outras comorbidades causadas pelo diabetes à visão é evitar que elas ocorram, por meio do controle estrito da glicemia, da pressão arterial e das nefropatias; do combate à obesidade e ao sedentarismo; e do corte do cigarro. As medidas preventivas mais eficientes para diminuir a incidência de novos casos de diabetes e o impacto negativo da doença na saúde da população residem em medidas educativas, que reforçem as mudanças de estilo de vida, pois a educação tem um custo efetividade superior ao uso de medicamentos.

Cuidados especiais que devem ser observados pelos pacientes diabéticos:

1) O acompanhamento oftalmológico do paciente portador de diabetes é recomendado devido à fragilidade de sua córnea. As células do epitélio corneano do diabético não têm a aderência que se encontra na maioria dos não-diabéticos. Estes pacientes, durante as cirurgias de vitrectomia tendem a perder o epitélio com maior facilidade e freqüentemente tem a cicatrização e o repovoamento das células da córnea mais demorados. Essa fragilidade é a porta de entrada para uma série de infecções oportunistas no segmento anterior, como blefarites e úlceras;

2) Embora não existam restrições quanto ao uso de lentes de contato, o paciente diabético exige atenção redobrada e cuidados maiores do que os não-portadores. Muitos pacientes diabéticos não usam lentes de contato, não pela fragilidade corneana, mas pelo estado do olho em si, em alguns casos, muito comprometido devido à doença;

3) A catarata também é mais prevalente na população diabética devido ao sorbitol - poliálcool resultante do metabolismo do açúcar - que se acumula no cristalino, altamente hidrofílico. Em situações de hiperglicemia, o cristalino absorve água, o que provoca miopia no paciente. À medida em que a glicemia retorna aos seus níveis normais, o cristalino se desidrata e volta ao seu tamanho original. A repetição dessa situação altera as fibras da estrutura do cristalino, provocando sua opacificação. Isso explica a maior predisposição dos diabéticos a sofrer de catarata mais cedo e com mais freqüência, se comparados à população que não sofre da doença;

4) Esse mecanismo de hidratação/desidratação é provocado principalmente pela falta de controle da glicemia, que também pode afetar exames de refração, acusando miopia inexistente ou maior do que a presente em situações de glicemia normal. É fundamental que o oftalmologista tenha informações precisas sobre a glicemia do paciente ao recomendar o uso de lentes corretivas para não prescrever óculos desnecessariamente;

5) O diabetes também é um fator de risco para o surgimento do glaucoma, embora os mecanismos fisiopatogênicos não estejam tão claramente desenhados, como no caso da catarata. A alteração química causada no organismo pela doença provoca a degeneração de vários tecidos, o que acaba afetando o trabeculado e, conseqüentemente, o escoamento do humor aquoso. Isso aumenta a pressão intra-ocular e provoca o glaucoma secundário a essa degeneração;

6) O diabetes também afeta a circulação sangüínea na cabeça do nervo óptico, o que acaba contribuindo para a sua degeneração. Com as alterações químicas provocadas pelo diabetes, as paredes dos vasos sangüíneos tornam-se gradativamente mais fracas, propiciando vazamentos e hemorragias. O aparecimento da retinopatia diabética está relacionado às alterações na microcirculação retiniana. O processo envolve o aparecimento de microaneurismas, dilatações capilares, isquemia, vazamento de plasma, oclusão capilar e, se não houver tratamento e controle, a neovascularização, que caracteriza o estágio mais avançado da doença, denominada retinopatia diabética proliferativa.

Saiba mais
Veja no site do IMO um filme sobre a retinopatia diabética:
http://www.imo.com.br/filmes-educativos/?video=714
Se quiser baixar o pdf de um informativo sobre a doença, acesse:
http://www.imo.com.br/storage/pdf/Retinopatia.pdf
INFORME LEGAL
As informações contidas em nossa homepage têm caráter informativo e educacional. O seu conteúdo jamais deverá ser utilizado para autodiagnóstico, autotratamento e automedicação. Em caso de dúvida, o profissional médico deverá ser consultado, pois, somente ele está habilitado para praticar o ato médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina.

Dr. Virgilio Centurion
Diretor Clínico
CRM-SP 13.454
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