Além de lutar contra o incômodo de uma visão deficiente, os estrábicos - cerca de 4% da população mundial - ainda precisam superar o preconceito.
O estrabismo é a perda do posicionamento normal dos olhos, conhecida popularmente como 'vesguice', que faz com que apenas um olho ou ambos sejam desviados para dentro, para fora, para cima ou para baixo. O desvio pode se apresentar de três formas: constante, intermitente e latente. Em todos os casos são comuns o relato de pacientes que sofrem com o emprego de termos ofensivos como ‘vesguinho’, ‘cegueta’, ‘quatro olho’, ‘zaroio’...
Para combater o preconceito e o bullying, é preciso esclarecer os mitos sobre a doença, como aquele que diz que uma pessoa é capaz de ficar estrábica, se entortar o olho de propósito ou se for surpreendida por uma rajada de vento.
O problema, na maioria dos casos, é hereditário e se manifesta na infância, em decorrência de um desequilíbrio nos músculos que movimentam os olhos. Pode ser provocado por parto prematuro, doenças congênitas, elevado grau de hipermetropia, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, dentre outros fatores genéticos.
O tratamento em crianças requer cuidados especiais. O principal deles é a ajuda dos pais. O processo para alinhar os olhos pode ser demorado e as crianças precisam de apoio nesta fase. Para facilitar o processo, os adultos podem, por exemplo, deixar a criança participar da escolha da armação dos óculos - que deve ser leve, de tamanho adequado e com lentes anti-risco e resistentes.
Para a garotada que necessita de tampão, os pais devem explicar a importância desse tratamento e decidir por oclusores de borracha ou descartáveis feitos de esparadrapo antialérgico que não irritam a pele e incomodam menos.
A família também tem que compreender uma possível queda no nível do rendimento escolar por conta da deficiência visual e pedir a colaboração dos professores para que, dentre outros cuidados, a criança possa sentar-se próxima à lousa.
Também é muito útil redobrar a atenção com as brincadeiras. Algumas crianças não podem manusear objetos pontiagudos ou praticar esportes perigosos.
Os pais precisam ficar atentos a qualquer alteração de humor dos filhos e às queixas, veladas ou explícitas, que eles façam da escola, durante o tratamento.
Em caso de problemas, os pais devem buscar ajuda por meio do serviço de orientação educacional e psicológica da instituição de ensino porque todas as crianças e adolescentes têm direito a ambientes escolares onde existam alegria, amizade, solidariedade e respeito às características individuais de cada um deles.