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A importância do "teste do olhinho"
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Atualmente, no Brasil, todo recém-nascido passa pelo chamado "teste do pezinho" antes de deixar a maternidade. Instituído como exame obrigatório pela legislação brasileira desde 1990, o teste já era realizado obrigatoriamente no Estado de São Paulo, desde 1983. Trata-se de uma triagem neonatal realizada pelos médicos pediatras com o objetivo de diagnosticar doenças que, se não tratadas precocemente, podem conduzir a graves prejuízos, inclusive a deficiência mental. Contudo, um outro exame simples, que pode evitar a cegueira e dignosticar diversas moléstias oculares em crianças, ainda não é obrigatório em todo o País. Além de São Paulo, "o teste do olhinho" é obrigatório no estado do Rio de Janeiro, além de Belo Horizonte e Recife.
A Sociedade Brasileira de Pediatria, SBP, e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, SBOP, pleiteiam que o Ministério da Saúde recomende a realização do teste em todo o território nacional. A reivindicação das entidades é justa, pois o teste do olhinho pode resguardar muitas crianças da cegueira ou do desenvolvimento de doenças oculares como a catarata, o glaucoma, o retinoblastoma e a ambliopia.
No Brasil, para se ter uma idéia desse quadro, quando se fala em pessoas com idade até 15 anos que não possuem capacidade de enxergar, o número chega perto de 32 mil, o que representa 0,6/1000 crianças. O universo de crianças entre 0 e 15 anos no País é alto: 54 milhões, ou cerca de 30% dos 180 milhões de habitantes. Isso sem falar nos quase 10% da população infantil - cerca de 5,4 milhões -, que têm algum tipo de problema de acuidade visual.
A justificativa para números tão altos está na falta de um exame detalhado dos olhos do bebê, logo após o nascimento. A história que, infelizmente se repete em muitos lugares do País, é a que os recém-nascidos só têm a moléstia ocular diagnosticada quando estão cegos ou quase cegos para o resto da vida.
O teste do olhinho é um exame indolor e rápido, demora menos de cinco minutos para ser realizado. O único equipamento necessário é um oftalmoscópio direto. Mais do que o reflexo vermelho, é preciso que o profissional - neonatologista, pediatra ou oftalmologista - examine o olho da criança e tudo o que o envolve.
O 'teste do reflexo vermelho' recebe esse nome porque quando o oftalmologista projeta a luz do oftalmoscópio no olho de um bebê sadio, um reflexo vermelho ou amarelo-avermelhado pode ser visto, proveniente da retina.
O reflexo avermelhado ocorre porque os meios oculares - córnea, cristalino, vítreo - encontram-se transparentes. A cor se deve à própria cor da retina. A ausência do reflexo vermelho ou a presença de reflexos diferentes em um ou nos dois olhos podem significar a presença de alguma alteração congênita ou neonatal. Nestes casos, a criança deve ser encaminhada, imediatamente ao oftalmologista.
Após o nascimento, o teste também pode ser realizado nas consultas rotineiras em crianças maiores, de qualquer idade, pois muitas doenças passíveis de diagnóstico pelo método podem aparecer mais tardiamente.
O que pode ser diagnosticado?
Estima-se que atualmente 0,4% dos recém-nascidos seja portador de catarata congênita. A doença pode ser detectada pelo teste do olhinho, quando este apresenta um reflexo vermelho que não é visto de maneira clara ou uniforme. O diagnóstico precoce desse tipo de catarata é de extrema importância para o bom desenvolvimento da criança, pois quanto mais precoce o diagnóstico e o subseqüente procedimento cirúrgico, menor será o dano à acuidade visual provocado pela doença.
Na infância, além de reduzir a visão, a catarata interfere no desenvolvimento visual. A doença é chamada de catarata congênita quando surge no nascimento ou no curso do primeiro ano de vida. A denominação muda para catarata infantil quando ela ocorre durante a infância, acima de um ano de idade. Na prática, devido ao diagnóstico tardio, na maioria dos casos, da catarata congênita, muitos preferem denominá-la catarata pediátrica ou infantil para os casos detectados nas crianças.
O glaucoma congênito é outra doença que pode ser diagnosticada por meio do teste do olhinho. Sua incidência é de 1 em cada 10 mil recém-nascidos vivos, aproximadamente. O glaucoma congênito é resultado do aumento da pressão intra-ocular que provoca rupturas no endotélio corneano, levando ao edema de córnea. O edema de córnea impede a entrada normal de luz para dentro do olho.
Quanto aos tumores malignos intra-oculares, o retinoblastoma é o mais freqüente na infância e também pode ser diagnosticado precocemente por meio do teste do olhinho. Se não tratado com urgência pode levar a criança ao óbito. Segundo dados do SBOP, no Brasil, 60% dos retinoblastomas são diagnosticados tardiamente, quando já não é possível salvar o olho e, às vezes, nem a vida da criança. Existem dois tipos de retinoblastoma: os resultantes de uma mutação somática, em que um fotorreceptor da retina sofreu uma mutação e desenvolveu o tumor; e outro resultante de uma mutação germinativa, em que todas as células do indivíduo carregam a mutação responsável pelo tumor. O retinoblastoma resultante de uma mutação somática é esporádico, sempre unilateral e raramente congênito. Já o retinoblastoma decorrente de uma mutação germinativa é transmitido de forma autossômica dominante, é bilateral em 30% dos casos e pode ser congênito.
A retinopatia na prematuridade é uma condição que afeta os prematuros, os bebês considerados de risco (menos de 1500 gramas ou 32 semanas de gestação). Trata-se de um processo fibroso patológico que compromete a retina dos dois olhos da criança prematura. Normalmente, a doença está associada ao uso prolongado de oxigênio e baixo peso ao nascimento. Se não for detectada no início, pode levar ao deslocamento da retina e causar cegueira. Na América Latina, a retinopatia na prematuridade é considerada a maior causa da cegueira infantil.
Hoje, preventivamente, o ideal é que o oftalmologista possa examinar os olhos dos recém-nascidos, pois se o exame ocular é adiado até a idade escolar, às vezes, poderá ser tarde para o tratamento do estrabismo e da ambliopia. Ocasionalmente, o estrabismo poderá ser secundário a uma catarata, um tumor intra-ocular ou um tumor cerebral. É muito importante que o oftalmologista possa diagnosticar estas patologias o quanto antes, pois assim estas moléstias poderão ser tratadas e o estrabismo corrigido.
O tratamento do estrabismo visa preservar a visão, manter os olhos paralelos e recuperar a visão binocular da criança. O tratamento vai depender do tipo de estrabismo diagnosticado. Após um exame oftalmológico completo, incluindo também o de fundo de olho, o oftalmologista indicará o tratamento clínico, ótico ou cirúrgico do estrabismo. O tratamento cirúrgico do estrabismo não substitui o uso dos óculos nem o tratamento da ambliopia. Após a cirurgia, os olhos poderão estar quase, mas não perfeitamente paralelos, apesar da avaliação clínica completa e da boa técnica cirúrgica. Nestes casos, o ajuste final dependerá da coordenação entre os olhos e o cérebro. A hipercorreção ou a hipocorreção poderão ocorrer e uma nova cirurgia poderá ser necessária.
A cirurgia precoce é indicada para correção do estrabismo em crianças menores, porque assim elas poderão desenvolver normalmente a visão, assim que os olhos forem alinhados. À medida em que a criança cresce, diminuem as chances de conseguir desenvolver a visão binocular. E mais, o defeito estético causado pelo 'olho torto', ou 'vesgo' pode ter um efeito negativo na auto-estima da criança.
Como é feito:
- Oftalmoscópio direto a uma distância de 50 cm;
- Iluminar os olhos da criança com a luz do oftalmoscópio em direção à pupila;
- Olhar pelo orifício existente na cabeça do oftalmoscópio;
- Observar um brilho através da pupila, que geralmente é laranja avermelhado;
- O oftalmoscópio pode ser utilizado com a lente em +4,00 ou ser ajustado a uma graduação que facilite a observação do reflexo vermelho;
- Sala escurecida (facilita a observação). |
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| INFORME LEGAL |
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Dr. Virgilio Centurion
Diretor Clínico
CRM-SP 13.454
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