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A idade da menarca (primeira
menstruação) e o uso prolongado de contraceptivos orais são fatores que podem
influenciar no desenvolvimento do glaucoma primário de ângulo aberto. Os dados
são de uma pesquisa realizada por Louis R. Pasquale, diretor de Serviço de
Glaucoma do Massachusetts Eye and Ear
Infirmary, em Boston.
O estudo é
fruto de uma pesquisa anterior de Pasquale, onde sua equipe já havia avaliado a
relação entre o envelhecimento reprodutivo feminino e o aparecimento do
glaucoma primário de ângulo aberto. O pesquisador já havia descoberto que a entrada
na menopausa representa um risco maior para o
aparecimento deste tipo de glaucoma nas mulheres. No estudo anterior, os
pesquisadores também descobriram que o uso de hormônios pós-menopausa foi
associado a um risco menor de aparecimento do glaucoma.
Partindo
deste estudo, os pesquisadores, liderados por Pasquale, buscaram identificar outras
conexões possíveis para o surgimento do glaucoma, a partir dos fatores
reprodutivos femininos. E para esmiuçar estas novas conexões foram analisados
dados de todos os membros do Nurses' Health
Study, entre 1980-2006. Os participantes fazem parte de um grupo de
enfermeiros americanos, que forneceram dados
sobre sua saúde reprodutiva, a cada 2 anos, a partir de 1980. Além de dados
sobre a saúde reprodutiva, oa participantes informaram também todas as doenças que
eles haviam desenvolvido, incluindo o glaucoma. A partir desta base, os
pesquisadores fizeram análises estatísticas para avaliar a relação entre os
atributos femininos de reprodução e o risco de desenvolvimento de glaucoma
primário de ângulo aberto.
Após
analisar as informações coletadas, os pesquisadores descobriram uma possível
conexão entre os fatores reprodutivos femininos e o aparecimento de glaucoma. A
equipe de Pasquale descobriu que mulheres cuja menarca havia acontecido antes
do 13 anos tinham um aumento do risco da variação da pressão intra-ocular e de desenvolver glaucoma. Os pesquisadores também
descobriram que o uso de contraceptivos orais desempenharam um papel importante
no aparecimento da doença. O uso de anticoncepcionais por 5 anos ou mais foi
associado a um risco aumentado de desenvolver glaucoma primário de ângulo
aberto.
Segundo Pasquale, os níveis de estrogênio
desempenham um papel importante, a longo prazo, no desenvolvimento do glaucoma,
pois as estruturas oculares, incluindo o nervo óptico, são sensíveis ao refluxo
fisiológico e ao fluxo de estrógeno presente no ciclo menstrual. A hipótese dos
pesquisadores é que a interrupção do fluxo menstrual e o refluxo de estrogênio alteram
um mecanismo fisiológico importante, que coloca as mulheres em risco de serem
acometidas pelo glaucoma. A equipe de Pasquale pretende aprofundar esta relação
numa próxima pesquisa, que analisará o uso de contraceptivos orais e o
aparecimento do glaucoma.
Os resultados encontrados até
agora, segundo os pesquisadores, já devem fazer com que os oftalmologistas levem
em conta os fatores reprodutivos, quando estiverem examinando pacientes do sexo
feminino. Mulheres, na perimenopausa, mesmo apresentando pressão intra-ocular
normal, devem ser examinadas em relação à existência de glaucoma.
Entenda o papel
dos fatores de risco
Idade, pressão
intra-ocular (PIO) e certos parâmetros observados no campo
visual têm sido considerados tradicionalmente importantes fatores de risco para
o glaucoma. Estudos clínicos, como o Ocular
Hypertension Treatment Study (OHTS), provaram que o campo visual e o
aspecto do nervo óptico são fatores importantes que “definem” a doença, além da
pressão intra-ocular.
No entanto, as pesquisas realizadas ainda não esclareceram o que pode
ocorrer com a visão do paciente, se estes fatores de risco não são considerados
e tratados. Temos menos conhecimento ainda sobre os fatores de risco que levam
à perda visual mesmo com a doença já em tratamento. A razão pode estar no fato
de que poucos pacientes nos estudos de glaucoma chegam à cegueira, e isso pode ser
atribuído ao curso do tratamento que eles recebem durante o estudo.
Por isto, um dos grandes desafios da prevenção do
glaucoma é convencer a população de que é muito importante ir ao
oftalmologista, pelo menos uma vez ao ano, para que a pressão ocular seja
medida. Além disso, os que possuem fatores de risco como hipertensão, diabetes
e glaucoma na família devem fazer avaliações, de seis em seis meses, para
verificação da variação diária de pressão, do campo visual e da gonioscopia.
Para ter um bom prognóstico, o glaucoma depende essencialmente do
diagnóstico precoce e da prevenção. A única forma segura de evitar suas
conseqüências é fazer consultas periódicas com o oftalmologista: este
profissional está preparado para medir a pressão intra-ocular, bem como
examinar o nervo óptico por meio do exame de fundo de olho. Havendo suspeita de
glaucoma, ele poderá solicitar exames de campo visual para verificar sua
possível alteração.
A aquisição do conhecimento sobre a importância da hereditariedade também
é muito importante para alertar descendentes sobre o risco de desenvolver o
glaucoma primário, doença de caráter hereditário. Por isso, em famílias de
portadores de glaucoma há a necessidade que todos façam os exames preventivos
anualmente.
Crianças que nascem com os olhos embaçados ou muito grandes, que têm
fotofobia intensa, que evitam abrir os olhos no sol ou não gostam de claridade
e cujos olhos lacrimejam muito, precisam ser avaliadas por um oftalmologista.
Estes sinais podem ser indício de glaucoma congênito. Esta é uma patologia
rara, transmitida por herança genética, e está relacionada às alterações no
desenvolvimento ocular presentes no nascimento. O diagnóstico e o tratamento do
glaucoma congênito precoce podem evitar que as crianças fiquem cegas ainda no
primeiro ano de vida.
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